Por quê as universidades pequenas perderam menos alunos em 2018?

Atendimento eficiente, proximidade com aluno e atenção às suas dificuldades são os diferenciais das universidades pequenas.

Segundo levantamento realizado pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), as universidades pequenas – aquelas com até 3 mil alunos matriculados – perderam menos alunos matriculados em 2018 do que no ano anterior.

O levantamento, feito com 99 instituições de ensino superior, mostra que a taxa de desistência entre os estudantes inscritos foi de apenas 0,2%, com relação ao mesmo período de 2017.

Por outro lado, as universidades pequenas perderam 9,3% calouros em relação ao ano anterior.

 

 

Ainda conforme a pesquisa, aquelas instituições com 3 a 7 mil alunos sofreram queda de 2,9% de alunos matriculados. As maiores, com mais de 10 mil estudantes, viram redução de 1,7% de seus alunos e de 3,9% dos calouros.

Em resumo, universidades pequenas perderam poucos alunos mas não conseguiram atrair calouros, enquanto as maiores perderam mais alunos mas conseguiram captar novos estudantes.

Em geral, houve queda de matrículas no ensino superior privado

O número total de alunos matriculados na rede superior privada e presencial caiu 1,6% em 2018. A queda no volume de calouros foi maior – 5%.

A evasão no ensino superior privado só não foi maior porque as instituições rematricularam cerca de 90% de seus estudantes. Eles ingressaram nas IES apesar da crise, decididos e com condições de concluir a formação.

Outra pesquisa do Semesp fornece dados que mostram como a instabilidade econômica e política influenciam o cenário da educação superior em todo o país.

A taxa de evasão entre os que ingressam no primeiro ano de um curso tem aumentado a cada ano. Segundo o Mapa do Ensino Superior 2018, em 2012, evadiram 24,9% de estudantes sem nenhum financiamento e entre 6,4% e 10,6% com financiamento.

 

 

Em 2016, evadiram 26,0% de alunos sem financiamento e 9,7% com financiamento. Na rede pública de ensino, a taxa manteve-se em torno de 14%.

Com relação à mensalidade, o valor médio dos cursos presenciais aumentou 2,4% entre 2017 e 2018. A faixa de preço ficou em torno de R$1.000.

Crise econômica, crise dos servidores públicos, o desemprego e a recessão que começou a tomar forma em 2015 são fatores muito importantes na redução de matrículas no ensino superior privado.

Mesmo agora que a eleição presidencial já tenha ocorrido, parece cedo para saber como o mercado educacional vai se portar daqui em diante.

 

universidades pequenas perderam menos alunos

 

Saiba alguns dos porquês de universidades pequenas terem perdido menos alunos

Como você leu neste artigo, apesar da dificuldade de captar novos alunos, as universidades pequenas perderam apenas 0,2% de suas matrículas. Alguns motivos podem explicar essa porcentagem considerada mínima, se comparada à taxa de evasão de universidades maiores. Entre eles, o atendimento ao aluno.

É menos dificultoso oferecer atendimento personalizado a um número menor de pessoas. Nesse caso, a IES pode se aproximar mais dos alunos e conhecer suas dificuldades financeiras para oferecer uma opção.

Universidades pequenas tendem a ter muito menos burocracia do que as grandes, desde os assuntos da secretaria a procedimentos que exigem as assinaturas de um número infinito de pessoas.

Ainda que não ofereçam um leque muito grande de programas, as universidades particulares pequenas perderam menos alunos porque costumam ofertar uma orientação forte dos professores, mais sensação de pertencimento à comunidade estudantil e menos obstáculos para chegar até os docentes.

Como as universidades particulares podem diminuir a evasão de alunos

 

Nos períodos de baixa porcentagem de captação e retenção de alunos, as IES têm cautela nos gastos e investimentos. A seguir, veja algumas práticas que podem ser adotadas por universidades grandes e pequenas para diminuir a evasão.

Aprenda a lidar com os cortes de financiamentos

O Ministério da Educação já alegou que os cortes no financiamento estudantil são necessários para garantir a eficiência e sustentabilidade do programa, o que mostra que a medida ainda valerá por um bom tempo.

Em vez de dependerem disso, as IES precisam se planejar para financiar os alunos a longo prazo. Há, por exemplo, IES que permitem que o aluno pague o valor integral do curso no dobro do tempo de duração.

Abra espaço para a cooperação mútua

Há dezenas de outras instituições com as mesmas dúvidas e dificuldades que a sua. Unidas, podem aprender e buscar soluções para diminuir os próprios custos, manter a qualidade e servir à comunidade.

É útil manter o diálogo com outras IES vinculadas a associações ou organizações, desde que estejam dispostas a contribuir.

Atente para o mercado de EaD

Mais de 46% de cursos tecnológicos já são à distância, percentual que era apenas de 16,3% em 2007. Os polos de Educação à Distância triplicaram entre 2014 e 2018 – passaram de cerca de 5 mil para quase 15 mil.

É crucial que os gestores procurem informações sobre os modelos mais adequados de EaD, que alinhem teoria e mercado de trabalho, o universo virtual e o presencial.

Atente para a captação e retenção de alunos

Como mostramos neste artigo, as IES privadas têm dificuldade seja para captar calouros, seja para reter os matriculados.

As medidas de captação de estudantes não podem contar somente com os incentivos do Governo, mas também com a adaptação do ensino tradicional ao moderno e dos meios de pagamento.

Enxergar as necessidades do estudante e agir com relação a isso é um ponto importante, assim como planejar uma gestão estratégica que inclua táticas efetivas de captação, gestão de recursos, retenção de alunos e comunicação.

Cuidado com a readequação orçamentária

 

Há universidades que adotam, como primeira medida de readequação orçamentária, a demissão de uma parte do corpo docente, justamente a mais qualificada (e a que custa mais caro).

Isso é visto como autodestruição por alguns especialistas, pois compromete a qualidade do ensino e as notas da IES nos rankings de educação do MEC, INEP e outros.

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Sérgio Fiuza

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Sérgio é VP de Mercado da Quero Educação, startup que já inclui mais de 300 mil estudantes no ensino superior brasileiro por meio da concessão de bolsas de estudo. Além disso, construiu também carreira acadêmica, atuando como professor na Fundação Dom Cabral e Fundação Getúlio Vargas, além de participar de projetos no MIT e na Michigan State University.

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