Os prós e contras dos programas estudantis do governo para sua IES

Entenda o cenário brasileiro e os impactos no mercado educacional.

O cenário de expansão do ensino superior no Brasil é recente. Desde meados dos anos 90, o país viveu diversas mudanças no mercado educacional. As privatizações, trocas de presidentes e os programas estudantis criados pelo governo transformaram o setor.

Mas e hoje em dia, você sabe como isso impacta a sua instituição de ensino?

A constante expansão e as transformações recorrentes exigem que os profissionais dessa área estejam atualizados.

Alterações nos programas, investimentos internacionais e novos contextos políticos. Todos esses fatores geram diferentes tipos de consequências para o mercado das IES.

Neste artigo vamos contextualizar este cenário e entender como driblar alguns problemas.

A expansão das instituições de ensino superior

Nos últimos anos, alguns fatores influenciaram o crescimento do mercado no Brasil.  A diminuição da burocracia para a abertura de novas faculdades atraiu investidores do mundo todo.

De acordo com o último Censo da Educação Superior, divulgado pelo INEP em 2017, as instituições de ensino superior (IES) privadas representam 87,9% da fatia do mercado.

Só em 2017, ano da pesquisa, a rede privada ofertou 92, 4% do total de vagas em cursos de graduação. Entre 2007 e 2017, a matrícula na educação superior aumentou 56,4%.  Os números são impressionantes e merecem ser bem interpretados. Grande parte desse crescimento se deu por conta dos programas estudantis criados pelo governo.

Mais matrículas, mais IES e novas formas de ingressar

Parte desses programas envolvem bolsas e parcerias com as intuições privadas. Programas como FIES, Prouni e o Sisu são os maiores responsáveis por todo esse crescimento.

O objetivo desses três programas é o mesmo: facilitar o acesso a faculdades no país. A forma como isso acontece e as condições para inscrição é que são diferentes em cada um dos casos.

Ao longo da sua leitura você vai entender melhor os prós e contras disso para sua IE. Mas antes você deve saber como funcionam cada um desses programas estudantis criados pelo governo.

Como funciona o FIES

Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) é um programa do Governo Federal de financiamento do curso de faculdade. Na prática, é como se fosse um empréstimo do governo. Durante o curso ele paga, e depois de formado o estudante paga a dívida ao governo. O prazo limite para quitar a dívida é até quatorze anos.

O financiamento varia de 10% a 100% do valor das mensalidades. O pagamento da dívida ocorre logo após a formatura do aluno. Para os estudantes que estiverem trabalhando com carteira assinada, um valor referente à parcela do Fies é descontado diretamente do salário. Caso o estudante comprove que não tem renda, deverá pagar um valor mínimo.

A medida facilitou a entrada de milhares de estudantes na faculdade. Mas para as IES, há também as desvantagens do Fies. Em situações de crise e aumento do desemprego, por exemplo, menos gente tem condições de arcar com mensalidades.

Outro fator é que desde 2014 a arrecadação vinda de repasses do Ministério da Educação (MEC) referentes ao Fies está caindo. Se as receitas dessa fonte estão em queda, isso impacta as receitas das IES.

Como funciona o Prouni

Prouni (Programa Universidade para Todos) é um dos mais populares programas estudantis criados pelo governo. Ele oferece bolsas de estudo de 50% a 100%, com base no desempenho dos candidatos no Enem e na renda per capita da família.

Desde seu início, em 2015, o Prouni já atendeu cerca de 2,47 milhões de estudantes, sendo 69% com bolsas integrais. Em contrapartida para as IES, ele oferece isenção de tributos àquelas que aderem ao Programa.

As possíveis desvantagens do Prouni para as IES são parecidas com as do Fies. Em momentos ou cenários de recessão, o número de matrículas pode diminuir e o de estudantes endividados pode aumentar.

Muitos estudantes que não são beneficiados com a bolsa integral acabam deixando vagas ociosas durante o curso.

Como funciona o Sisu

O Sisu (Sistema de Seleção Unificada) é mais um dos programas estudantis criados pelo governo. Ele é um programa de seleção de ingresso nas universidades públicas.

Nem todas as instituições públicas aderiram à seleção por meio do Sisu. Algumas faculdades estaduais, como a USP, mesclam as formas de ingresso, usando o vestibular tradicional para algumas vagas e o Sisu para outras.

Mas você deve estar pensando, onde entra o impacto às instituições particulares?

No caso do Sisu, o contexto é diferente dos outros programas estudantis criados pelo governo. Ele centraliza os vestibulares através de uma prova, o Enem, e dá mais possibilidades de ingresso de uma só vez aos estudantes.

Por conta desta facilidade, muitos estudantes acabam deixando de prestar vestibulares nas instituições privadas também.

Mas então, como aproveitar os benefícios e superar as problemáticas dos programas estudantis criados pelo governo?

Driblando as crises e mantendo a receita das IES

Os programas estudantis criados pelo governo cumprem o papel de facilitar o acesso ao ensino superior. Nas últimas décadas o mercado educacional cresceu, manteve-se aquecido e se expandiu. É claro que existem situações adversas e contextos que podem mudar.

Para garantir certa estabilidade e não sofrer impactos tão fortes com transformações nesse cenário, é preciso inovar.

A grande vantagem das instituições de ensino particulares é a autonomia.  Sua IE pode usar os próprios recursos como quiser e investir para driblar as crises.  A capacidade de gestão, a expertise de mercado e as equipes capacitadas ajudam muito nestes momentos.

Você já pensou que as estratégias de captação de alunos podem ser alternativas úteis para driblar as crises?

As IES podem usar o financiamento próprio para investir em diferentes nichos de público. Com foco, planejamento e visão de negócios é possível fazer uma captação consistente e efetiva.

Existem diversas estratégias inovadoras para captar alunos. Alinhe sua equipe aos objetivos e demandas de mercado e vá para o “ringue”.

Podem existir sim impactos negativos nas brechas dos programas estudantis criados pelo governo. Mas existem também as oportunidades.

Um time empenhado e bem informado sobre seu mercado sabe o que deve ser o foco.

Na balança do mercado educacional

Assim como tudo na vida, os programas estudantis criados pelo governo têm seus prós e contras para as IES. Como vimos neste artigo, não basta ter um “boom” de matrículas. É necessário sobreviver no mercado em longo prazo.

É preciso pensar em estratégias para a permanência dos alunos que ingressaram por programas estudantis criados pelo governo. Além disso, investir em captação focada em diferentes nichos e estimular os não bolsistas.

As IES podem criar seus próprios vestibulares, descontos, parcerias de mercado e novas formas de fortalecer sua marca.

Essa é a dinâmica da balança do mercado educacional, crescer com proposito. Fique de olho nas demandas do aluno e esteja flexível às alterações de cenário.

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Sérgio Fiuza

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Sérgio é VP de Mercado da Quero Educação, startup que já inclui mais de 300 mil estudantes no ensino superior brasileiro por meio da concessão de bolsas de estudo. Além disso, construiu também carreira acadêmica, atuando como professor na Fundação Dom Cabral e Fundação Getúlio Vargas, além de participar de projetos no MIT e na Michigan State University.

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